Uma odisseia no mobile e as tendências para 2018

Mobile: Tendências para 2018

Muitos começaram 2017 com esperança de dias melhores devido a resultados ruins em 2016 e quem trabalha com Mobile e estava esperando por boas notícias a primeira chegou já em janeiro.

Os usuários considerados “mobile only” (ou “apenas mobile”) são aqueles que estão há mais de um mês sem utilizar desktop. Utilizando apenas o smartphone.

Dados divulgados no comScore MMX Multi-Plataform apontaram que o Brasil é o 4º país no mundo quando o assunto é “mobile only” com cerca de 25% dos usuários. Pessoas estão fazendo tudo com apenas um dispositivo e não é à toa que esse dispositivo ganhou o apelido de “controle remoto do mundo”.

O smartphone é a única conexão entre essas pessoas e o mundo e os brasileiros gostam tanto dessa conexão com tudo e todos que no geral 56% dos brasileiros dormem com o celular do lado da cama enquanto quase 20% dos entrevistados dormem com o celular em cima da cama.

As pessoas da geração Z são as que mais gostam de dormir com o celular do ladinho, 28% deles fazem isso toda noite.

Não sei se essa proximidade toda com o smartphone é intimidade ou necessidade, mas 23% dos brasileiros preferem ficar 24 horas sem água em sua casa do que ficar 24 horas sem ter acesso ao seu smartphone. Água é uma necessidade básica, não?

Outra necessidade é pagar a conta de água. E por que não usar o controle remoto do mundo para pagar a conta? O Mobile Banking caiu no gosto dos brasileiros e se tornou o canal preferido de acesso aos serviços bancários.

Fizemos mais de 21.9 bilhões de transações bancárias em 2017 e isso significa que houve um aumento de 96% em relação ao ano anterior.

Mas sempre existirá aquela pessoa que gosta mesmo é de pagar suas contas no banco. Bom, pelo menos ela vai poder se distrair na fila com um “joguinho” no smartphone.

 

Joguinho? Que nada!

 

Existem jogos incríveis que vem lucrando muito com os usuários brasileiros. A receita no segmento “Jogos Móveis” em 2017 foi de US$ 280 milhões acompanhada de um crescimento de 6,7% em relação ao ano anterior. A receita média por usuário (ARPU) chegou a US$ 6,21.

Muita grana para muitos jogos e talvez você tenha assistido algumas propagandas de jogos para smartphone na sua TV. Realmente esse foi um ano de trabalhar com mídias alternativas.

O Waze serviu de mídia para vozes de Fábio Porchat (Porta dos Fundos), Marco Luque, Marcelo Tas e até para personagens de filmes animados.

Magazine Luiza usou lindamente o Tinder para aumentar suas vendas. A Lu (avatar da empresa) teve mais de 150 mil matches em pleno Dia dos Namorados e distribuiu cupons de descontos para todos seus matches.

Mídias alternativas vendem bem também e só no terceiro trimestre de 2017 as compras feitas pelos smartphones cresceram 75% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Como se não bastasse, as compras feitas por dispositivos móveis (tablets e smartphones) representou 46% de todas as transações do terceiro trimestre.

Quando vi que a última Black Friday havia vendido 5.03 bilhões em todo o mundo fiquei surpreso, mas me surpreendi ainda mais quando soube que 2 dos 5.03 bilhões em vendas vieram de dispositivos móveis.

Algo não me surpreendeu, mas é muito interessante: o boleto bancário é a forma preferida de pagamento para 31% dos compradores brasileiros. E com boleto você já pode fazer muita coisa, desde compras no Ali Express até assinar o Spotify. É a tecnologia se adaptando para o mercado brasileiro, afinal estamos em um mercado emergente com crescimento acelerado.

Contudo, quando a gente tem o controle remoto do mundo nas mãos não queremos apenas ter acesso instantâneo a milhões de músicas e produtos. Queremos transporte, serviços de limpeza, manicure e comida na porta de casa.

A proporção de brasileiros que já pediram um serviço de transporte pelo smartphone subiu de 37% para 58% em 12 meses. Eu tenho a impressão até de que virou modismo dizer “Pede um Uber”.

No mesmo período a proporção de brasileiros que já pediram uma refeição pelo smartphone cresceu de 38% para 47% e em seis meses dobrou a proporção de usuários que já pediu um serviço de beleza via app / site móvel.

Ninguém gritou “Saindo 1.7 milhões para viagem” lá da cozinha, mas os restaurantes que trabalham com delivery devem estar bem contentes com o resultado do ano. A receita gerada aqui no Brasil teve um aumento de 21,6% e estima-se que o volume desse mercado em 2020 atinja 4.6 milhões.

Ainda assim estaremos bem longe da China, que no último ano gerou mais de 37 milhões em receita com delivery de comida.

Mas se seu negócio é cozinhar, tudo bem. Só não quero que você perca um tempão na fila do caixa do supermercado. E foi pensando nisso que o Pão De Açúcar lançou ainda em 2017 o aplicativo “Meu Caixa” que te deixa agendar um horário para passar no caixa e pagar pelas suas compras sem pegar fila.

Caso você seja daquelas pessoas que gostam tanto de um desconto que até encaram uma fila para ganhar um, existem outros aplicativos que podem te oferecer uma personalização incrível com descontos em produtos que você realmente compra. Ainda não evitam filas, mas te ajudam a economizar.

 

0800 do Mobile

Comprar é ainda melhor quando você não gasta para gastar. O serviço de televendas passou a vender muito mais quando surgiu os números “0800” e a ligação passou a ser gratuita.

No mobile não é diferente, 81% dos compradores brasileiros viram a navegação gratuita como um diferencial positivo na hora de escolher o e-commerce em que farão suas compras.

Alguém tá pagando essa conta, claro. Acredito que esse ROI seja positivo para as empresas que estão liberando o uso de dados em seus aplicativos e ainda vejo esse modelo como uma tendência de mídia. Você não gostaria de gastar seu plano de dados com um vídeo de uma propaganda.

Outra tendência que vi muito forte no último ano foram os anúncios cada vez mais inteligentes interagindo com os usuários dentro de games e até em banners. Existem inúmeras APIs que estão ajudando as empresas de mídia a fornecer anúncios mais relevantes e interessantes para os usuários.

Os banners nativos já davam conta do recado (principalmente para remarketing) mas o assunto ficou mais sério agora que podemos usar uma API de previsão do tempo, por exemplo, para oferecer um produto que combine com a condição climática do bairro do usuário. Faz tempo que não faz sentido oferecer regata e bermuda para um usuário que tá com frio e com os pés molhados.

Por outro lado, em 2018, o livro “Mobile First” do Luke Wroblewski que originou o tal conceito completa 7 anos e ainda acessamos sites que não funcionam bem em celular. Ainda recebemos e-mail marketing feito para desktop sem nenhuma personalização.

Se seu site ou da sua empresa é responsivo, daqueles que fica bonitinho na tela do celular e você ficou orgulhoso lendo o último parágrafo com um sorriso no canto da boca; cuidado! Já não basta ficar bonitinho na tela do celular, tem que ser rápido. A tendência para este ano é ser rápido.

Para 67% dos usuários, a experiência ruim que mais incomoda em um site mobile é a demora pra carregar o conteúdo e mais da metade (exatos 53%) dos consumidores abandonam um site mobile que demoram mais de três segundos pra carregar.

Não adianta mais ter o melhor preço se o usuário não chegar nele em menos de três segundos.

Será que o site que fica tão bonitinho na tela do smartphone carrega em menos de três segundos? Usando conexão 3G, claro!

Existem experiências que vão muito além do preço e a gente sabe bem disso. Os óculos de realidade virtual já é tendência há, pelo menos, um ano e deve se tornar ainda mais potente nesse ano. Já é comum em shoppings lojas especializadas em VR que alugam os óculos para você jogar e te cobram por hora.

Minha geração jogou muito Playstation, Nintendo 64 e Neo Geo em locadora pagando por hora. Ninguém no meu bairro tinha grana para comprar um videogame desses, mas a gente podia jogar por algumas horas na locadora. Hoje muitas crianças dispensam o videogame porque já tem um smartphone com dezenas de jogos incríveis e pedem pro Papai Noel um óculos de VR.

Mais ou menos na mesma época em que eu pagava para jogar Playstation por hora, ficava impressionado com os eventos internacionais que eram transmitidos ao vivo na televisão. “Mas isso aí tá acontecendo nos EUA agora e tá passando na TV ao vivo?” pra mim era incrível estar a quilômetros de distância de outro país e ver as coisas que estavam acontecendo lá em tempo real.

As emissoras de TV investiam muita grana para conseguir fazer essas transmissões ao vivo e hoje qualquer pessoa que tenha um smartphone e uma conexão de internet tem a possibilidade de transmitir qualquer coisa para o mundo inteiro, ao vivo.

Em 1994 fiquei impressionado assistindo a Copa do Mundo ao vivo pela TV.

Em 2017 assisti jogo do meu time pelo Periscope, transmitido da primeira fileira por um torcedor.

Talvez você já tenha percebido que esse negócio de “fazer uma live” veio pra ficar. Nem preciso dizer que é tendência (já dizendo).

Já tem um monte de empresa fazendo lives para mostrar seus bastidores, divulgar novos produtos, entrevistar famosos ou apenas interagir com seu público. Em 2020 mais de 80% do nosso consumo de conteúdo na internet vai ser através de vídeos.

Antes de você sair fazendo uma live, preciso te contar que um famoso rapper paulista com fama de durão apareceu para algumas centenas de fãs com focinho e orelha de gatinho.

Por engano ele tocou no botão que ativa o filtro que o deixava com focinho e orelhas de gatinho. Assim que percebeu o que tinha feito encerrou a live e depois fez uma nova live explicando que tocou no botão por engano. De qualquer maneira a imagem foi “printada” e viralizou na internet.

Ao vivo tem dessas coisas. Muitos imprevistos podem acontecer e você ou sua empresa terá que saber lidar com eles caso queira explorar o mundo das transmissões ao vivo. Afinal, o controle remoto do mundo também serve para exterminar marcas, destruir campanhas e infelizmente é uma arma superperigosa quando está nas mãos dos haters.

 

Ciro Ralfe é professor do curso de Marketing Digital de Alta performance na ComSchool