A história do e-commerce no Brasil

A História do e-commerce no Brasil

No Brasil, o e-commerce tem menos de duas décadas de existência, uma história pequena, mas sua evolução se deu a passos largos, acompanhando o desenvolvimento da Internet.

Você se lembra da época que precisava utilizar a conexão discada para acessar seu e- mail? Naquele tempo, a conexão era de 14 kbps e para carregar uma foto demorava alguns minutos.

Outro grande progresso que abriu caminho para o e-commerce foi a mudança na forma como os consumidores compram.

As pessoas começaram a procurar mais informações e tornaram a aquisição de produtos mais satisfatória. Assim, o cliente passou a ter total controle sobre as suas escolhas.

A qualidade do nosso e-commerce é um reflexo da forma como as empresas se adaptaram ao longo dos anos. Segundo a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), em 2023, o setor deve atingir a marca de 130 bilhões em faturamento e mais de 100 milhões de e-consumidores.

Este número expressivo é reflexo do comportamento dos consumidores mais jovens, que já desenvolveram o hábito de comprar pela internet e confiam neste formato.

O setor também está cada vez mais especializado e conta com centros de formação de profissionais em e-commerce e marketing digital, como a ComSchool, que capacitam profissionais e compartilham o conhecimento dos especialistas da área.

A evolução do e-commerce beneficia nosso país pois além de estimular o mercado local, onde as lojas virtuais se estabelecem, ajudam ao pequeno empreendedor, que tem poucas barreiras de entrada para abrir sua loja virtual. Também é uma excelente forma de expansão internacional através do e-commerce.

Assim, empresas pequenas podem competir de igual para igual com os grandes players do mercado.

Contudo, precisamos olhar para o passado e entender como chegamos a este patamar e quais esforços podem ser feitos no sentido de aperfeiçoar os processos.

De acordo com o livro “Gerente de E-commerce”, organizado por Mauricio Salvador, o e-commerce como conhecemos surgiu nos Estados Unidos e se popularizou nos anos 1990, devido ao fácil acesso à Internet que a população americana passou a ter nesta década.

Além disso, nos Estados Unidos já havia uma cultura de comprar a distância, que surgiu em meados da Década de 40, e se popularizou com os famosos “Catálogos Sears”.

Outro fator que incentivou este cenário foi o telefone, pois os lares norte-americanos já contavam com este recurso em suas casas há um bom tempo, algo que demorou a se popularizar no Brasil.

Os primeiros passos do e-commerce no Brasil

No Brasil da década de 1990, o contexto era muito mais complicado, pois os telefones e computadores eram caros e não havia uma cultura de comprar algo a distância.

Mesmo que não hajam registros oficiais, podemos considerar a Booknet como uma das primeiras lojas virtuais no Brasil.

A Booknet entrou no ar em maio de 1995 e foi fundada por Jack London, que daria um artigo apenas sobre ele (que faleceu em agosto de 2016).

Era uma loja online de livros que foi muito bem-sucedida e, em 1999, foi comprada e renomeada para Submarino (que posteriormente se uniu à Americanas.com dando origem ao Grupo B2W).

Um dado interessante sobre a transformação da Booknet em Submarino: o nome submarino foi escolhido em função da necessidade de ter uma marca que pudesse ser usada em Português e Espanhol, pois as pretensões dos empresários eram de expandir para outros países da América Latina. O domínio submarino.com.br já estava sendo usado por uma empresa do Amazonas (olha o fantasma da Amazon aí ;).

Os fundadores do Submarino então, foram até o Amazonas para negociar a compra do domínio sem no entanto abrir que havia um grande investidor por trás do negócio e sem dizer que o site seria um dos maiores e-commerces da América Latina. Saíram de lá com o domínio comprado por um preço muito menor! Isso que e negociar!

Em 1996, a Brasoftware, loja virtual de software, que antes existia na BBS (“Bulletin Board System”, software que permita a conexão e troca de dados entre computadores, algo parecido com a internet atual), foi transferida para a Internet comercial que havia se estabelecido em 1995 graças a liberação do Ministério da Comunicação.

Ainda neste ano, o Ponto Frio começou a operar com o mesmo posicionamento de suas lojas físicas. Hoje a loja é administrada pela Via Varejo, junto com a Casas Bahia.

Uma ajuda que surgiu este momento inovador foi o surgimento do acesso com cobrança via pulso telefônico em 1998, o que diminuiu o custo para navegar na web. Nos anos 2000, começou a onda do acesso gratuito, eliminando a necessidade de pagar um provedor para isso.

Assim, a Internet começou a se popularizar entre os brasileiros. De olho nesse novo setor, os Correios lançaram o serviço exclusivo de transporte de encomendas expressas: o e-Sedex, para atender a demanda das lojas virtuais com mais eficácia. Infelizmente este serviço foi descontinuado em 2017, “por uma nova Política Comercial” dos Correios.

O ano de 1999 foi de grande importância para a história do e-commerce no Brasil, pois foi quando surgiram players de porte tais como Americanas.com e Mercado Livre, atualmente os dois maiores e-commerces da América Latina.

Problemas que ajudam a amadurecer o e-commerce

Apesar de toda a empolgação, muitas empresas quebraram quando a “bolha da internet” estourou em 1999, devido aos investimentos descontrolados que foram feitos na época.

Havia a suposição que os ganhos no ambiente online seriam ilimitados. Mas ninguém sabia ao certo como ganhar dinheiro. Empresas já nasciam com investimentos milionários, e fechavam as portas antes mesmo de colocar o site no ar. O modelo de negócios era sempre baseado na “venda de banners”, que dependia de alto tráfego de usuários. Dizem que uma dessas startups que recebeu milhões de dólares de investimento, convidou os Rolling Stones para tocar numa festa privativa, pagando cerca de dois milhões de dólares pelo show, e faliu algumas semanas depois, antes mesmo do site entrar no ar.

Mesmo com esses problemas e a desconfiança que essa “bolha” inspirou, algumas empresas aprenderam com os erros e outras surgiram.

Em 1999 surgiram os primeiros comparadores de preços no Brasil: Bondfaro e Buscapé. Sua consolidação por volta de 2004 ajudou muito a descentralizar o e-commerce, que até então se concentrava nas grandes lojas virtuais. Através dos comparadores de preços, os pequenos e micro empresários, poderiam comprar anúncios gastando pouco, ao contrário dos grandes portais (Globo, UOL, Terra, etc), onde só conseguiam entrar os grandes anunciantes.

Nessa época o Google ainda não reinava com seus links patrocinados, outros buscadores muito utilizados eram o Cadê, Yahoo e o Altavista, que geravam um tráfego considerável para os sites.

Também não existiam redes sociais, somente um pré-histórico Orkut, que sequer vendia publicidade.

Em 2001 o varejo online movimentou R$ 550 milhões no Brasil.

Em 2002, o Submarino conquistou seu “break even” (ponto de equilibro entre receitas e despesas) e foi um grande exemplo do amadurecimento do setor, pois acabou atraindo muitas empresas para o e-commerce, que antes desacreditavam que seria possível ganhar dinheiro na Internet.

A Gol surgiu em 2001 e foi a primeira empresa a vender passagens áreas somente pela Internet, o que acabou ajudando a captar mais e-consumidores, pois os mesmos só conseguiriam viajar pela Gol, se comprassem online.

Nesse ano também surgiram dois grandes ícones do e-commerce brasileiro: Flores Online e Netshoes.

Em 2003 o faturamento do e-commerce no Brasil ultrapassou a barreira de um bilhão de Reais, atingindo o total de R$ 1,2 bilhões em vendas com um público consumidor de 2,6 milhões de brasileiros e-shoppers.

No ano de 2005 o Submarino faz então a abertura de capital em bolsa de valores, atraindo ainda mais atenção de outras empresas. Com a consolidação do setor, começam também as fusões e aquisições. A Americanas.com adquire a loja virtual da Shoptime, a VideoLar compra a operação da Somlivre.com e o Submarino entra no mercado de viagens, adquirindo a Ingresso.com e a Travelweb.com.

Nesse ano de 2005, o faturamento do e-commerce no Brasil foi de R$ 2,5 bilhões e o total de e-consumidores brasileiros era de 4,6 milhões.

O ano de 2006 foi espetacular para o e-commerce no Brasil. O crescimento do faturamento superou todas as expectativas e atingiu 76%. Grandes marcas como Pernambucanas, Marabraz, Boticário e Sony, começam a vender pela internet. O faturamento do e-commerce em 2006 foi de R$ 4,4 bilhões e o número de e-consumidores atingiu a casa dos 7 milhões.

Crescimento das microempresas no e-commerce

Em 2007 começa a descentralização do e-commerce brasileiro. A popularização dos comparadores de preços e o crescimento acelerado dos links patrocinados do Google, facilita que as micro e pequenas empresas comecem a usar as estratégias de marketing digital com mais facilidade e com custos baixos. Com menos de 500 Reais era possível fazer uma campanha de marketing digital para divulgar sua loja virtual!

Com isso as micro e pequenas empresas puderam começar a competir de igual para igual com os grandes anunciantes, pois as mídias que mais davam certo para o e-commerce passaram a ser os links patrocinados e os comparadores de preços, e houve uma queda brusca nos anúncios com banners em portais.

O faturamento do e-commerce em 2007 no Brasil foi de R$ 6,3 bilhões e o número de brasileiros que já tinham feito uma compra online até então, era de 9,5 milhões.

Em 2008 começa então o fenômeno das redes sociais no Brasil. Depois da ascenção e queda do Orkut, é a vez do Facebook e Twitter chegarem com força total e em alguns meses ganharem a adesão de milhões de brasileiros. As lojas virtuais se aproveitam desse novo canal e começam a fazer ações de divulgação nas redes sociais. Os blogs também começaram a se consolidar como ferramenta de conteúdo para as as lojas virtuais ganharem mais destaque nas redes sociais.

Um grande player do varejo mundial começou a vender no Brasil nesse ano. O Walmart abriu sua loja virtual brasileira (posteriormente, em 2017 o Walmart fechou sua operação de e-commerce no Brasil e optou em ter somente o marketplace). O faturamento do e-commerce em 2008 no Brasil foi de R$ 8,2 bilhões e o número de e-consumidores era de 10,3 milhões.

O crescimento do e-commerce de serviços

O ano de 2009 foi de grandes mudanças no e-commerce brasileiro. Os sites de compras coletivas começaram a ganhar grande projeção no mundo todo e também no Brasil. empresas como Peixe Urbano, Groupon e Clickon, são exemplos de sites de compras coletivas que tiveram no olho do furação.

O lado bom desses sites é que trouxeram para o e-commerce, empresas de prestação de serviços, tais como restaurantes, salões de beleza e hotéis, entre outros. Independentemente desse modelo de negócios não ter durado muito, o fato e que milhares desses anunciantes, provaram o gostinho da Internet e continuaram com suas próprias ações de marketing digital para atrair novos clientes.

Em 2009 o faturamento do e-commerce no Brasil foi de R$ 10,5 bilhões e o numero de e-consumidores era de 17 milhões.

A Década de 2010: transformação mobile

A chegada dos smartphones pegou em cheio as lojas virtuais. Mas esse assunto nós vamos tratar no próximo post, com a continuação do artigo sobre a história do e-commerce no Brasil.

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