Entrevista sobre logística no e-commerce brasileiro

Fizemos três perguntas para Mauricio Salvador, Presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, ABComm, sobre a logística no e-commerce brasileiro. Confira:

 

Quais as tendências da logística dentro do setor de e-commerce nos próximos anos?

A tendência na logística no e-commerce tem sido a de automatizar processos, reduzir o custo da última milha (last mile) e aumentar o nível de serviço para entregas mais urgente (same day delivery). Os Parcel Shops tem se multiplicado rapidamente na Europa, Estados Unidos e Ásia. Trata-se de pontos comerciais diversos (pode ser desde uma padaria até uma loja de departamentos), onde o consumidor vai retirar suas compras feitas pela Internet (veja aqui um artigo sobre Parcel Shops). A internacionalização via e-commerce também tem aumentado o desafio logístico, de criar armazéns e hubs em diferentes países. Outra tendência interessante está sendo impulsionada pelos marketplaces, é o uso de cross docking e drop shipping. Há inovações em análise tais como o uso de drones e lockers refrigerados, mas isso ainda deve demorar para chegar no Brasil.

 

Quais os diferenciais logísticos do setor?

A entrega expressa é o grande desafio no Brasil. Muitas transportadoras terceirizam seus serviços com os Correios, que tem um péssimo nível de serviço. No caso do e-commerce, os atrasos na entrega causam problemas graves na imagem das lojas virtuais. O consumidor não entende que o produto atrasou por culpa dos Correios, ele vai no Procon contra a loja virtual e ganha indenizações em juizados de pequenas causas. O maior diferencial do e-commerce é poder operar uma loja virtual com milhares de produtos na prateleira, sem precisar tê-los em estoque. É por isso que os marketplaces tem crescido tão rápido.

 

Como as empresas podem lidar melhor com os entraves logísticos que afetam o segmento?

Buscando alternativas na iniciativa privada. Nós da ABComm acreditamos que a privatização dos Correios será de grande beneficio para o e-commerce. Enquanto isso não acontece, as empresas de e-commerce têm que administrar melhor a ansiedade dos compradores, enviando e-mails e SMS com as mudanças de status de entrega e aumentando os prazos de entrega prometidos. Somente na Grande São Paulo, os prazos de entrega aumentaram de 4 para 8 dias nos últimos dois anos. É a contra-mão do que está acontecendo no mundo, cuja tendência são prazos mais curtos.

 

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